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Não é exclusividade minha, a correria louca em que nos envolvemos nestes primeiros dias de dezembro.
Tá bom eu sei disso, é um turbilhão coletivo!
Todo o mundo tem que, além de trabalhar, comprar o presente do amigo secreto da empresa, o presente do amigo da onça da família, o presente do amigo invisível da turma da academia, os presentes para as crianças da família, as comidas, as bebidas, os agendamentos, as viagens para comemorar com a família que mora em outra cidade, as festas de confraternização, onde presentearemos e seremos presenteados, o menu do dia 24 e 25, a decoração da casa, driblar o transito caótico, tentar não perder a paciencia nas filas para estacionar, para ser atendido, para pagar, para embrulhar os presentes...espera...o que é mesmo que estamos comemorando?
AAAHHH...é verdade quase me esquecia, o Natal !
Estou com vontade de fazer diferente este ano. Dia 24 e 25 eu festejo, como, bebo, troco presentes, me divirto, entro nessa folia mundana e material, que não posso negar, é boa, de abraçar, beijar, confraternizar e depois, com calma, com mais silencio, outro dia qualquer, sem pressa e muito mais apropriadamente, eu reflito e comemoro o nascimento de Jesus.
Aplaudo quem consegue, mas para mim definitivamente, tudo ao mesmo tempo, não dá e nem combina, não dá liga...e a propósito de correria e comilança, ontem entre outros afazeres profissionais, lembrei-me que tinha que ligar para encomendar um dos pratos do menu natalino, o pernil.
Sem um computador disponível, para consultar o telefone do lugar que me havia sido recomendado, liguei para o serviço de tele informações da cidade.
A atendente, com voz teenager, mas muito gentil e eficiente, prontamente me informou o número do famoso Voga, onde se servem os pasteis mais tradicionais de Campinas, acompanhados de cerveja sempre geladinha e tem fama dos melhores assados.
Eu agradeço, desligo e em seguida faço a ligação, para fazer meu pedido.
Logo após o alô do homem, eu na correria habitual, pergunto rapidamente:
-Por favor, vocês ainda estão aceitando encomendas de pernil assado para o Natal?
A resposta vem pronta e inesperada:
-Só se a senhora quiser, um churrasquinho assado no motor do carro.
Atônica e incrédula, depois de uns poucos segundos, grunho:
-Como assim?
Ao que meu interlocutor calmamente responde:
-Dona, a senhora ligou “pró” Voga autopeças!
Juro que vou mesmo comemorar meu Natal Cristão com mais tranquilidade, não vá eu, no sagrado momento da comunhão, pedir um
chope geladinho ao sacerdote.
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