SINOPSE

Dois meses depois da revolução portuguesa dos cravos (25 de Abril de 1974) uma jovem nascida e criada no coração de Angola, passa como de costume, suas ultimas férias escolares no verão europeu. Foram três meses de prenúncio, do rebuliço que sua vida seria dali em diante. Com o fim das férias e consequente retorno para a ainda colônia angolana, ela se vê vivendo e temendo por seu grande e primeiro amor, pelos seus amigos, pela sua confortável situação sócio econômica, no epicentro do rodamoinho da guerra civil angolana. É um relato verídico, quase um diário, das perdas, das dores, do medo, da angústia, da luta pela sobrevivência, do desespero e de todas as demais mazelas que as guerras invariavelmente injetam em todos os seus participes, ativos ou passivos. Um ano depois de sua chegada ao Brasil, país para onde fugiu a menos de dois meses do dia da independência de Angola (11 de Novembro de 1975), ninguém mais notava ser ela uma estrangeira. A perda do sotaque juntamente com a hibernação de toda a sua infância e adolescência, foi a maneira pragmática que inconscientemente usou para não ser questionada sobre sua origem e não mexer nas feridas que começavam a cicatrizar. Trinta anos depois o personagem por ela adotado para viver no novo país, que tão carinhosamente a recebeu, dá sinais de esgotamento e como uma árvore sem raízes reclama por elas, para que possa continuar ereta. Essa reivindicação do seu âmago, juntamente com um velho pedido de seu marido e seus filhos para que escrevesse sua experiência de vida, desencadearam um processo de resgate das memórias olfativas, gustativas, sonoras, visuais, emocionas... A erupção desse enorme vulcão, provoca uma profunda catarse e finalmente ela dialoga em paz com o seu pedaço por tantos anos amortecido.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Indicação de leitura on-line

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Sabor de Maboque é indicação de leitura, da revista portuguesa on-line "Livros & Leituras" , figurando no topo da coluna "Hot"

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Minha cria em Trás-os-Montes

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Depois de mais de vinte dias afastada deste cantinho, sabe bem retornar com uma foto acabada de receber de Portugal, com a seguinte mensagem:

"No passeio por terras de Trás-os-Montes a 18/02, em Bragança, encontrei o "Sabor de Maboque" na book.it do Centro comercial. Dulce continuação de muito sucesso... Beijinhos com amizade QUINITA"

Obrigada querida amiga Quinita, por continuares pageando minha cria, com tamanha dedicação, coisa que o Atlantico não me permitiria fazer!
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Retrospectiva 2011- VII

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Porque tenho prazer em relembrar momentos como este,
emocionante, como não poderia deixar de ser,
estando eu pela primeira vez na TV em Portugal.
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                                                                                  Outubro 2011
  TVi.
programa: "A Tarde é sua"
apresentadora: Fátima Lopes 
Lisboa / Portugal
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011- VI

Porque tenho prazer em relembrar momentos como este.
Outubro 2011
A volta à aldeia de meus pais e das férias da minha meninice,
com minha amiga Ana, gravando um programa para a TVi.

Chaveirinha / Portugal
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domingo, 22 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011- V

Porque tenho prazer em relembrar,
a suprema alegria de sentir a felicidade de minha filha em seu casamento!
Outubro de 2011
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Retrospectiva 2011- IV

Porque tenho prazer em relembrar momentos como este.
Fevereiro 2011
Muitos livros autografados
Aveiro / Portugal
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sábado, 21 de janeiro de 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011- II



Porque tenho prazer em relembrar momentos como este.
Fevereiro 2011
Lançamento do Sabor de Maboque
Casa de Angola / Lisboa
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011- I


Porque tenho prazer em relembrar momentos como este.
Lançamento da terceira edição brasileira.
Fevereiro 2011-Livraria Bulhosa
Lisboa


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domingo, 1 de janeiro de 2012

sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz Ano Novo

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twapandula ciwa, etali ulima wapwa,
ndukulavokeli ulima uwa wiya ko.
(umbundo)
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(agradeço imenso, hoje o ano acabou,
desejo-vos um bom ano que vem)
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(Obrigada Gociante Patissa pelo seu precioso umbundo)



terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Deliciosa simplicidade!

(clique na foto para ampliar)
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Lugar de lixo é na lixeira, certo?
Nem sempre!
Se durante a construção de minha casa, um dos pedreiros não tivesse deixado os despojos de sua sobremesa, displicentemente caídos sobre a terra fértil de meu jardim, hoje não teria meus vizinhos e os pedestres que passam em frente à minha casa, boquiabertos com a cortina de mangas que cascateia o muro.
Já no ano passado, esta mangueira foi prodiga em sua prole, porém a praga da mosca branca tolheu-me o prazer de degustar seus frutos, lindos por fora, mas quando descascados... completamente comprometidos.
Este ano, decidida a não mais vivenciar tal frustração, procurei técnicos que me orientaram a colocar na árvore, iscas que atraíssem as moscas e assim as afastassem das atrativas flores.
Disposta a não ceder minhas mangas para a praga, fui a uma casa comercial, especializada em produtos agrícolas, onde fui atendida por Bruno, um rapaz de porte corpulento, contrastando com o olhar meigo e fala mansa com forte sotaque caipira, daquele que arrasta o “r”, sem pressa, de maneira lânguida e língua enrolada, como só os norte americanos e os paulistas do interior do estado o sabem pronunciar.
Com a mesma calma e atenção, com que Bruno me ouviu contar o problema do meu pequeno mangueiral e o relato do conselho que havia recebido sobre as iscas químicas, ele de forma pachorrenta disse-me:
-Oh...dona...nois temu uma isca natural muito boa.
-Melhor ainda Bruno. Que isca é essa?-Perguntei-lhe eu com redobrado interesse.
-É mer~r~rda dona.
E sem demonstrar nenhum tipo de constrangimento ou reação ante meu ar de espanto, pegou um objeto na prateleira lateral e continuou calmamente encostado ao balcão:
-A senhora compra esta ar~r~r~madilha aqui, que parece uma for~r~r~ma de pudim virada de ponta cabeça, em cima de um prato e antes de piiindurar~r~r ela na ár~r~r~rvore, coloca a mer~r~r~rda no prato. As mosca num resiste à mer~r~r~rda, entra pelos buraquinho entre o prato e a for~r~r~ma e como elas só avoam pra cima, elas não consegue mais sair~r~r~r e morre tudo de canser~r~ra.
A esta altura, tentando quase sem sucesso, aprisionar uma avassaladora vontade de gargalhar, me surpreendo mais uma vez, ao percebê-lo um excelente promotor de vendas do produto, quando ele arremedou meu questionamento sobre o aroma do produto:
-Num precisa se preocupar~r~r~r~r, isto é bão demais. A senhora pindura um só, longe da casa, que dá pró jardim todo.
E antes que pudesse me refazer ele pergunta:
-Oh dona, a senhora tem churrasqueira em casa?
Ainda atordoada, aceno a cabeça positivamente, ao que ele arremata:
-Xiiii, então a senhora vai gostar mesmo da mer~r~r~r~rda...as mosca vai tudo nela e num sobra nenhuma pra incomodá nas car~r~r~rne.
Descrente e estremunhada, agradeci a atenção e saí.
Porém, ainda do carro, pelo celular, fui informada que Bruno não só era um bom vendedor, como também o tão em moda ecologicamente correto e sim, o produto à base de dejetos e feromônios é uma isca irresistível, fato que me fez manobrar o carro novamente em direção à loja , comprar o engodo para moscas e usá-lo, para agora colher e saborear mangas deliciosas*.

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domingo, 18 de dezembro de 2011

Obrigada Zeca-II!

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Aqui está, o "petisco" com que Zeca me presenteou e que já comecei a degustar.
O livro "História de Angola" de Douglas Wheeler e René Pélissier
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Obrigada Zeca!

(clique na foto para ampliar a imagem)
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OOOOOBA...Papai Noel já passou pela minha casa!
Adivinhem o que ele colocou nos galhos da árvore de Natal, a pedido de minha amiga angolana Zeca Gonçalves?
Será o "prato principal" de minhas proximas ceias. Vou degustá-lo com enorme prazer.


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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Imprensa XIX


(clique na imagem para ampliar)
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Não sei há quantos anos e até poderia perguntar-lhes, quantos já foram os exemplares que receberam do jornal português “Voz da Minha Terra” , aqui no Brasil onde moram, mas não vou fazê-lo, porque sei serem muitos e essa coisa de contar tempo, só tem graça quando somos mais jovens.
Sei porém, que meus pais o assinam com prazer e o lêem de fio a pavio.
Não sei se é só saudade, ou se é muita ausência à mistura, ou ainda talvez porque como emigrantes que são, ao embrenharem-se nas páginas do Voz da Minha Terra, por aquelas silabas, que se aglutinam em palavras e escorregam por corredores que os transportam a São Bento e à Chaveirinha, onde nasceram e a mais uma infinidade de aldeias, freguesias e vilas do belíssimo concelho de Mação/Portugal, onde tem ainda hoje, inúmeros familiares e amigos, se sentem fazendo parte de alguma coisa, de volta ao aconchego do ninho e à segurança das raízes.
Foi emocionante, a surpresa de me ver, fazendo parte deste pedaço mágico de celulose!
Obrigada “Voz da Minha Terra”, que minha também a posso reivindicar, porque assim a sinto e lá estão minhas origens.
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domingo, 11 de dezembro de 2011

Que correria!


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Não é exclusividade minha, a correria louca em que nos envolvemos nestes primeiros dias de dezembro.
Tá bom eu sei disso, é um turbilhão coletivo!
Todo o mundo tem que, além de trabalhar, comprar o presente do amigo secreto da empresa, o presente do amigo da onça da família, o presente do amigo invisível da turma da academia, os presentes para as crianças da família, as comidas, as bebidas, os agendamentos, as viagens para comemorar com a família que mora em outra cidade, as festas de confraternização, onde presentearemos e seremos presenteados, o menu do dia 24 e 25, a decoração da casa, driblar o transito caótico, tentar não perder a paciencia nas filas para estacionar, para ser atendido, para pagar, para embrulhar os  presentes...espera...o que é mesmo que estamos comemorando?
AAAHHH...é verdade quase me esquecia, o Natal !
Estou com vontade de fazer diferente este ano. Dia 24 e 25 eu festejo, como, bebo, troco presentes, me divirto, entro nessa folia mundana e material, que não posso negar, é boa, de abraçar, beijar, confraternizar e depois, com calma, com mais silencio, outro dia qualquer, sem pressa e muito mais apropriadamente, eu reflito e comemoro o nascimento de Jesus.
Aplaudo quem consegue, mas para mim definitivamente, tudo ao mesmo tempo, não dá e nem combina, não dá liga...e a propósito de correria e comilança, ontem entre outros afazeres profissionais, lembrei-me que tinha que ligar para encomendar um dos pratos do menu natalino, o pernil.
Sem um computador disponível, para consultar o telefone do lugar que me havia sido recomendado, liguei para o serviço de tele informações da cidade.
A atendente, com voz teenager, mas muito gentil e eficiente, prontamente me informou o número do famoso Voga, onde se servem os pasteis mais tradicionais de Campinas, acompanhados de cerveja sempre geladinha e tem fama dos melhores assados.
Eu agradeço, desligo e em seguida faço a ligação, para fazer meu pedido.
Logo após o alô do homem, eu na correria habitual, pergunto rapidamente:
-Por favor, vocês ainda estão aceitando encomendas de pernil assado para o Natal?
A resposta vem pronta e inesperada:
-Só se a senhora quiser, um churrasquinho assado no motor do carro.
Atônica e incrédula, depois de uns poucos segundos, grunho:
-Como assim?
Ao que meu interlocutor calmamente responde:
-Dona, a senhora ligou “pró” Voga autopeças!

Juro que vou mesmo comemorar meu Natal Cristão com mais tranquilidade, não vá eu, no sagrado momento da comunhão, pedir um chope geladinho ao sacerdote.
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domingo, 4 de dezembro de 2011

Parabéns Pai !

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Sabes pai...foi difícil falar sobre este troféu!
Como discorrer sobre uma insígnia, recebida ao se destacar em 2011 na academia de pilates, por alguém que a pouco menos de 3 meses de completar 80 anos, tem um imensurável rol de condecorações?
Vou dar-te simplesmente os PARABÉNS, mas não sem antes te dizer que te admiro muito, pelo homem e ser humano que és, por teres sido o herói da minha infância, mesmo que isso até tenha dificultado meus sonhos de menina adolescente, à procura de um homem que sempre estava aquém de ti.
Sabes pai, foi bom ter-te tido ao lado de minha mãe para me ensinares os primeiros passos.
Foi importante ter teu exemplo de jovem simples, que trabalha exaustivamente, vence e se transforma num grande e respeitado empresário em Angola, o chão que adotaste como teu e escolheste para teus três filhos, mas também, não foi menos irrelevante, ver-te dar a volta por cima, em terras tupiniquins, quando pra lá te empurrou a guerra civil, que veio a reboque da Revolução dos Cravos e com ela a inevitável derrocada de teu respeitável império financeiro, sem nunca te ver olhar para trás e reclamar as perdas materiais.
Obrigada pelo ser humano alegre e contador de anedotas, pelas tuas sonoras gargalhadas, pela total ausência de palmadas em meu processo educacional, pelos olhares penetrantes e inquestionáveis de repreensão, pelo divertido presidente do clube da Nharêa, pelo campeão de tiro aos pratos, pelas aulas de horticultura, pelo exemplo de honestidade, pelo amigo dos amigos, pelo homem da família, pelo meu porto seguro, pela proteção física e emocional durante a guerra civil, por me ensinares que a vida sempre vale a pena.
Obrigada por seres MEU PAI !
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domingo, 27 de novembro de 2011

Fado



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Que outro país, a não ser Portugal, poderia ter uma musica nacional, miscigenada com genes africanos, tupiniquins e lusitanos?
Se o Fado tem um pé no Brasil, dando-se crédito à teoria de ter sido a corte de D João VI, ao termino do exílio, a levar para Portugal a dança fado, inspirada no lundum dos escravos, que podia ou não ser acompanhada com canto; se o Fado é mais velhinho que isso; se ele e o tango são coevos e de uma mesma raiz; se o que mais é admirado, é o de Lisboa ou o de Coimbra... são só curiosidades que tenho apreço em pesquisar, porque gosto de FADO, porque é PORTUGUÊS e agora é PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE.

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Acordo ortográfico



Lendo no blogue Espumadamente , um post muito interessante sobre o acordo ortográfico, me lembrei de uma senhora octogenária, que conheço e de quem admiro  a perspicácia e a deliciosa simplicidade das pessoas do campo.

Nascida numa pequena cidade no interior do estado de São Paulo, trabalhou na roça até a “dor nas junta”, como ela diz, a aposentarem das lides, que havia iniciado aos 6 anos de idade.
Nunca se sentou numa carteira escolar, mas à sua maneira, autodidata e pragmática, lê, escreve e há poucos dias atrás, sabendo que eu tinha escrito um livro, teorizou com seu forte sotaque caipira:

“Óia fia, eu acho qui todo o mundo divia iscrevê cumo fala. Se ocê entendi minha prosa, vai cumprendê minha iscrita. Ocê num acha não?”- e sem me dar tempo para responder, preconizou com olhar onírico : ”Si pudia sê assim, eu inté escrevia um livro tumbêm”.

Pois é dona Maria Aparecida, pelo andar da carruagem e com tantos desacordos sobre o patético acordo, é bem provável que a senhora ainda consiga realizar seu sonho!
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Foi muito especial I






Obrigada Jorge Carvalho...a "eminência parda" destas imagens
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Pastelaria Primor, Silva Porto, Bié, Angola.

Este foi durante nossa adolescência, um ponto de referência, onde nos reuníamos, bebíamos, comíamos, confidenciávamos, tramávamos, namorávamos, riamos, crescíamos, sonhávamos, amalgamávamo-nos...
Foi com imensa nostalgia, que em 2007, no então embrionário projeto Sabor de Maboque, brotou de minha memória uma Primor, com aroma de café e cigarro, misturado aos deliciosos doces, aos saborosos salgados e ao inebriante perfume das emoções de menina.
A guerra civil surrupiou-nos o nosso QG, mas não nos roubou o mais precioso de todos os bens..a AMIZADE...e se um dia chegamos a pensar que nos tínhamos extraviado, foi puro engano..reencontramo-nos e reinventamos a Primor.
Que importa, se ela até parece que é chamada por outros frequentadores, de Mexicana?
Quando lá está um bieno, ela é Primor!
Numa feliz coincidência, eu uma biena que mora no Brasil, de passagem por Lisboa, me embrenhei no acerto de mais um encontro, numa certa sexta feira, dia da semana oficialmente instituído para as tertúlias e só a caminho da nossa Primor lisboeta, me lembrei que era 21 de outubro de 2011 e portanto, fazia exatamente 2 anos que lançara a 1ª edição do Sabor de Maboque no Brasil.
Foi mágico, comemorar esta data com vocês, AMIGOS!
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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Tombo


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Que inveja sinto eu, da auto-estima de minha amiga, ao me dizer no dia seguinte de seu tombo cinematográfico, no meio da rua:


“Cair depois dos 50, é muito mais do que ir ao chão e me machucar. É a comprovação de que estou madura e portanto mais gostosa”.

Invejo-a, porque depois da queda inglória e juro ...ABSTÊMIA, que sofri ao sair de um jantar na ultima sexta feira, o espelho me garante um lábio inchado que em nada lembra a apetitosa Angelina Jolie e o joelho engrossado e claudicante, me imprime a imagem em movimento de um ser humano centenário.

Exagero?

Reparem na foto acima. É o meu relógio após o acidente!
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

sábado, 5 de novembro de 2011

Mais uma emoção II

Pedacinho de Angola no Colégio Rio Branco
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Na Feira Cultural 2011 do Colégio Rio Branco, que adotou o Sabor de Maboque como leitura obrigatória para mais de uma centena de alunos do oitavo ano, havia uma sala só para África tendo como indutor do tema o próprio livro.
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Parabéns professoras Mônica e Rosemary, pelo belissimo trabalho, profissional, envolvente e apaixonado.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

OBRIGADA

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De volta ao Brasil e ainda em estado de graça, agradeço a todos, pelos belos momentos, repletos de grandes e deliciosas emoções, com que me presentearam, nos ultimos quinze dias.
Mais não digo, porque a imagem captada por minha amiga Isabel Pires retrata com perfeição o que me banhava a alma, durante minha estadia em Portugal.

OBRIGADA !

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domingo, 9 de outubro de 2011

Espero por vocês no Porto e/ou em Lisboa!

Breve terei o prazer de estar em Portugal para o lançamento da edição portuguesa do meu livro Sabor de Maboque, pela editora Dinalivro.
Espero por vocês!
O primeiro evento acontecerá no próximo dia 20 no Porto,  tendo a honra de contar com a Profª Midá Lemos Pinto como apresentadora e dois dias depois em Lisboa, serei agraciada com a presença de Margarida Mercês de Mello e do Prof Dr Viriato Semião.
Detalhes como local, endereço e horário podem ser lidos abaixo:




(clic na imagem para ampliar)
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(clic na imagem para ampliar)
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Olá amigos!

(a prometida tradução)


Amigos,


breve estarei em Lisboa e no Porto para o lançamento da edição portuguesa do meu livro Sabor de Maboque.

Aguardem mais detalhes!
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Kalungi a vakamba !


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A vakamba, ndikasi okuiya ko Lisboa lo ko Porto, oco tutelinse ocipito co ku lekisa elivulu liange, "Sabor de Maboke", onjanja eyi lopolo yoputu yokoputu. Lavoki asapulo vokuenda kuokupongiya ungende. 


PS 1: Ndapandula Gociante Patissa
PS 2: A pedidos: este post está escrito em umbundo, uma das línguas faladas em grande área territorial do país onde nasci e vivi minha infância e adolescência, breve traduzirei para português.
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"Independência ou Morte!"

(óleo sobre tela-1888-Pedro Américo)

"Grito do Ipiranga"- 7 de setembro de 1822
Às margens do Ipiranga, perante a sua comitiva, o Principe-regente D. Pedro de Alcântara, brada: "Independência ou Morte!"



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Bananas radioativas?

(bananeira do meu jardim-04/09/2011-clique p/ ampliar)
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Há cerca de duas semanas, sentada na sala de espera de um consultório médico, li uma reportagem sobre bananas que me impressionou.
Não foi o apreço que tenho ao seu sabor nem a curiosidade sobre o valor nutritivo, ou a origem desta fruta tão difundida por todo o planeta, nem as dezenas de variedades que me chamou a atenção.
O titulo interrogativo da matéria me instigou a leitura:

“BANANAS RADIOATIVAS?”

Ontem, enquanto fotografava a linda e vigorosa promessa de um flamante cacho que despontou na bananeira prata do meu jardim, lembrei-me do que havia lido e resolvi tirar a limpo, a sensação estranha de que estava sendo ludibriada pela revista médica e vejam o que achei:

“Devido ao elevado teor de potássio em sua composição, as bananas são levemente radioativas,do que a maioria dos outros frutos. Isso se deve à presença do isótopo radioativo potássio-40 (40K), regularmente distribuído no potássio ocorrente na natureza... Por esta razão, os ambientalistas em energia nuclear, por vezes, costumam referir-se à "dose equivalente em banana" de radiação para apoiar seus argumentos durante debates em congressos e encontros sobre a matéria. Embora a radioatividade da banana seja muito leve, todavia, grandes carregamentos da fruta em navios podem ser suficientes para disparar detetores ou sensores de radiação em determinadas circunstâncias."(wikipédia)

Saborosas, nutritivas e inofensivamente radiotivas, como tomates, certas rochas e até castanha do pará, assim atesta este outro site
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domingo, 28 de agosto de 2011

Ciclos da vida

19/08/2011, numa curva da estrada, entre Sousas e Joaquim Egidio
Clique p/ ampliar
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No ocaso dos ipês amarelos,

em reverência cortês e consentida,

à curta, mas esplendorosa florada dos brancos,

a sagacidade da natureza,

instiga a reflexão dos ciclos naturais da vida.

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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Era uma vez...IV

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30.000, é o número estimado de crianças e adolescentes que por abandono, orfandade, violência, negligência ou miséria vivem em abrigos no Brasil.


Luisa, de quem sou colaboradora, é uma das 29 crianças que moram no abrigo, onde não há um só dia que eu lá chegue e o varal esteja menos lotado de roupas, do que este que fotografei na semana passada.

Uma paleta gigante, bonita, alegre e colorida, de dezenas de roupinhas infantis, que imediatamente inspiram, ternura, amor, delicadeza, proteção, futuro...um contrassenso que machuca, incomoda, dói e aflige, quando confrontado com as razões que encaminham estas crianças para aquela casa.

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domingo, 14 de agosto de 2011

Jindungo

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Pertinho de uma palmeira imperial, bela e digna descendente de suas ancestrais, provenientes das Ilhas Maurício e presenteadas ao príncipe regente D. João VI,


quase à sombra da legitima indiana mangueira,

por pouco não empurrando a brasileiríssima jabuticabeira

e brincando de roda com a hortelã, o alho poró e as alfaces,

desponta gaiato, forte e formoso, um jindungo Angolano.
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Obrigada Bé Maria pelas sementes com que me presenteou em Fevereiro!



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Que florada!

(clique na foto para ampliar)
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Inúmeras vezes me sinto privilegiada, por apesar de morar numa cidade com mais de um milhão de habitantes, poder diariamente intercalar  a correria profissional dos periodos matutino e vespertino, com uma passada em casa, para almoçar, organizar a vida doméstica e cuidar do meu jardim. 
Volto ao trabalho revigorada e frequentemente em estado de graça, com imagens como esta de hoje, gravadas na retina.
O nome dos frutos que sucederão esta florada maravilhosa?
Alguém quer arriscar um palpite?
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domingo, 7 de agosto de 2011

Ipê Rosa

Julho 2011/ ipê rosa/ Campinas-Sousas

É magnífico sentir-me parte da suntuosidade da natureza
e da indubitável certeza da existência de Deus.
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domingo, 31 de julho de 2011

sábado, 23 de julho de 2011

Abraço


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Há abraços e Abraços!


Você pode abraçar um conhecido, um bicho de pelúcia ou de verdade, uma árvore, uma coluna de concreto, mas Abraço assim deste jeito maiúsculo sem ser inicio de frase, não é sempre nem com qualquer um que se granjeia.

Você tem que gostar muito...muito além de uma simples parcialidade favorável. Há que existir um enorme bem querer entre duas pessoas cingidas pelos braços, que permita  superlativar e promover abraço a Abraço.

E quando se espera como eu, 35 anos para abraçar uma amiga, que viveu a meninice comigo, que nunca saiu do chão angolano que amo e me viu nascer e que de repente atravessa o Atlantico?

AAAhhh Luisa...que delicia de ABRAÇO !!!
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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ao mestre com carinho

(agrião da minha horta)
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(beija-flor bebendo água das folhinhas do agrião)
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Se há atitude que por vezes filho parece ter como objetivo de vida, é pirraçar os pais e neste caso minha horta resolveu corroborar e fazer meu agrião ficar lindo e viçoso num vaso com terra, contra todos os vaticínios de meu pai e grande professor de horticultura, que agourava o pior para as mudinhas delicadas que plantei há quase dois meses.
Há até um beija-flor, como pode ver na foto, que não me deixa mentir Pai e poderá atestar toda esta exuberância clorofilina quando você voltar das férias, uma vez que ele diáriamente imola sua sede, sorvendo as gotas de água que se equilibram nas folhinhas depois da rega, feita sempre ao amanhecer segundo seus preciosos e sábios preceitos.
Ah, quase me esquecia de lhe dizer que as videiras agradecem a sua poda e já brotam depois que as adubei, como me recomendou.
Até à volta, mas não demore demasiado mestre, porque as mangueiras começam a florir e precisam de seus cuidados preventivos.
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terça-feira, 12 de julho de 2011

Ibero-Amerikanisches Institut


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Mais um emocionante vôo de longo percurso da "minha cria".
Sabor de Maboque faz parte agora do maior acervo especializado em cultura ibero-americana da Europa.
Ele é um dos 800.000 titulos da biblioteca do Instituto Ibero-Americano do Patrimônio Cultural Prussiano, localizado em Berlim.
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domingo, 10 de julho de 2011

Felicidade da solidão

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Quando todos os galhos se mostram secos,

Quando todas as águas acham que me podem ilhar,

Quando todas as nuvens me querem tirar o sol,

Quando na falta pressinto abandono...

Penso na felicidade da solidão
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terça-feira, 5 de julho de 2011

Quase

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Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
Quem quase passou ainda estuda,
Quem quase morreu está vivo,
Quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo*.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar*.
Desconfie do destino e acredite em você*.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

"Sarah Westphal"

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Era uma vez...III

presente de Luisa em nosso ultimo encontro




A cada encontro com Luisa, dois momentos de grande intensidade:

Momento 1-a imensa alegria da minha chegada ao Abrigo, com seus olhinhos purpurinando de regozijo, sua mãozinha buscando rapidamente o meu enlace e sua voz orgulhosa e docemente infantil anunciando a todos, mais uma chegada da tia Dulce, a sua “coboladora”.

Momento 2-após sessenta minutos de rabiscos, pinturas, recortes, colagens, leitura de historinhas, cantigas e mágicas, o desespero de minha partida estampado em seu olhar marejado de lágrimas e o soluçar incontido, por mais um abandono em sua vida tão curta e tão tristemente recheada de perdas.

O que dizer-lhe para que entenda que voltarei na próxima semana?

Como fazê-la a acreditar no seu quarto ano de vida que não a machucarei com mais uma dolorosa ruptura?
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