SABOR DE MABOQUE - NDAPANDULA MAMA ÁFRICA

SABOR DE MABOQUE - NDAPANDULA MAMA ÁFRICA

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Orelha Do Livro



ORELHA DO LIVRO



A mala de cânfora que guardava preciosidades pessoais perdeu-se no êxodo familiar, em circunstâncias narradas neste Sabor de maboque. Ficou perdida num desvão qualquer de uma Angola conflagrada. Essa perda de intimidades obliterou, por décadas, a memória de uma então adolescente ferida em seu âmago por uma revolução que lhe roubou a condição privilegiada de vida, uma sólida posição socioeconomica e, sobretudo, os sonhos com que delineava o futuro.
Os acontecimentos se precipitaram incontroláveis e abalaram todas as estruturas sobre as quais se erguia a existência do clã familiar. A personagem, molestada pelas fundas marcas da mudança forçada, quis esquecer o que viveu. Por décadas, evitou empenhadamente rememorar o torvelinho da guerra que a surpreendeu e a fez girar como folha ao vento, anos e anos revisitando-a sob a forma de pesadelos. A incerteza e a angústia trouxeram a família para o Brasil. A vida seguiu e retomou rumos. O passado devia sepultar-se na imemória. Isso talvez devesse ser o ponto final daquela história de horrores.
A caixa de cânfora simbólica entretanto ficou retida no âmago molestado. E, de repente, vem à superfície da consciência. Como no mito de Pandora, de infeliz desfecho, este livro representa também a abertura de uma caixa que continha segredos, zelosamente preservada no âmago da personagem Dulce. Abrindo-a às palavras, Dulce permitiu que os malefícios que desejava esquecer se expusessem, por saber, de alguma forma sub-reptícia, que a esperança escamoteada pela turbulência exterior, permanecia latente, tanto que a vida prosseguiu e ganhou novos contornos. Esgotado o vendaval da emoção dolorosa, a aventura familiar da qual era participante, finalmente podia subir à tona sem causar danos colaterais. E o conteúdo dessa caixa simbólica, todo ele emocional e significativo, começou a ser minuciosamente reexaminado e reconstruído sob forma de catarse. E Dulce contou sua saga.
Numa prodigiosa viagem pela memória, mobilizando evocações pormenorizadas com surpreendente riqueza de minúcias, Dulce refaz-se adolescente, recriando também uma época e um momento político específico da história de Angola e Portugal, a então metrópole. Transitando entre África e Europa, relata usos e costumes com pitoresca veracidade, tanto da aldeia ancestral da Chaveirinha como da sua querida Nharêa natal.
O dramatismo dos percalços a ultrapassar durante o êxodo de uma família numerosa e solidária, é entremeado de casos pitorescos e anedóticos contados com graça e leveza, num contraponto agridoce que, conforme Dulce diz, são características do maboque, fruto a que remete este livro
Tudo é verdadeiro nesta história, tudo realmente aconteceu conforme descrito. Acompanhar a aventura em que se constituiu a fuga, os aflitivos desencontros, o medo pautando as ações, prende a atenção do leitor e o emociona.
Por solicitação, fiz uma revisão técnica do texto. Tive por objetivo ater-me à simplicidade da forma, sem nada alterar, preservando a força singular que a inexperiência da autora como tal, imprimiu à estrutura da narrativa, admirável para quem até agora não produzira texto algum.
A força e o valor deste livro residem na sua qualidade testemunhal. Sabor de maboque alinha-se com obras de caráter documentário e enriquece essa vertente editorial.

Aercio Consolin

29 comentários:

  1. “Assim como o fruto do maboque só aparece após muita chuva, para depois nos brindar com seu gosto peculiar, acre e ao mesmo tempo doce, belas histórias de vida também são forjadas após grandes vendavais e permitem, ao seus autores e leitores, saborear com mais intensidade o doce sabor da vitória. Dulce compartilha conosco uma marcante caminhada que, forjada na dura convivência com a guerra, chega ao sucesso, hasteando com a propriedade dos vencedores uma merecida bandeira branca, assim como as folhas do maboque, num sinal de seu encontro harmonioso com a paz e equilíbrio dos vencedores. Assim como vários tipos de insetos polinizam suas flores, certamente vários perfis de leitores se deliciarão nesta obra que é um exemplo de vida, de perseverança e otimismo. Dulce, sinceros parabéns.”

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  2. Alexandre
    Perderei meu contrato com o editor se seu comentário for lido por ele! Espero corresponder a toda a espectativa de leitor contumaz que me parece ser. Quero vê-lo no lançamento !!;)))
    Beijos

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  3. Oi Dulce,deixei um recadinho no seu blog mas saiu como anonimo...

    Amei vc esta de parabéns e não se esqueça de nos convidar para o lançamento queremos o nosso autografado.

    bjus

    Fer

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  4. Fernanda
    Postei o comentário que vc não havia conseguido. Espero vc e os meninos lá. Te mando um email com a data e horário do lançamento e terei enorme prazer de autografar...
    Obrigada
    Bjs

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  5. Querida...

    Soubeste bem procurar uma pessoa idónea e conhecedora das "letras" para te acompanhar na descrição...fico mt contente.

    bj

    Midá

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  6. Aercio Consolin é uma pessoa e um escritor incrivel. Como revisor foi impecável!
    bj

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  7. Sempre tive uma curiosidade enorme em conhecer sua estoria, desde nossa adolescencia, quando te conheci. Agora, só pela "orelha", sei que vou desfrutar de momentos unicos e muito especiais , assim como voce, atraves dessa sua obra.
    Não vejo a hora.!!!!!!
    Dodi

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  8. Dodi
    Espera só mais um pouquinho...adorei sua visita
    bjs

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  9. Tantos anos juntos acho que nunca ouvi voce falar sobre essa parte de sua viva ,ja ouvi algumas coisas vindo de outras pessoas.
    Mais saber detalhes de tudo vai ser muito bom.
    Vamos aguardar o lancamento

    Sucesso!
    Sirlene

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  10. Parece uma historia realmente interessante.
    concerteza irei ler... estou aguardando !
    Boa sorte !

    Camila

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  11. Sirlene
    Por isso o livro foi tão importante para mim...falar de tudo para todos...
    Obrigada

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  12. Camila
    Qdo a Gabi e o Má eram da sua idade adoravam ouvir partes dessa história e traziam até amigos da escola para que eu lhes contasse tb. Aguarde não vai demorar muito, eu prometo!
    Bj

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  13. Se a orelha é uma bela apreciação,o que não será o livro!!!! Que venha logo, para nos deliciarmos e compartilharmos sua bela (mesmo que por vezes triste,mas com final feliz, pelo que vejo)estória.

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  14. Clara
    Já...já estará nas prateleiras..
    bjs

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  15. Estou ansiosa para ler o livro... adoro ouvir as historias que os Avós e os Pais contam daquele tempo... aguardo o dia da sua estréia no mundo literário!!!
    beijocas
    Fabí

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  16. Dulce.

    Adorei o livro pena que foi pouco para mim,lendo achando ser mais uma historia bonita.Mais foi real,isso prova que você superou e chegou onde está.
    Parabéns! e venda muitos livros.

    Sirlene

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  17. Fabi
    Desculpa mas só agora vi o teu comentário. Obrigada pela visita e ele já está nas livrarias. Espero que goste. Bjs

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  18. Sirlene
    Fico feliz, muito feliz mesmo por ter gostado. Obrigada e amém para as vendas.
    Bjs

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  19. PARABENS PELA SUA PERSISTENCIA E LUTA NOS CONTANDO O QUE PASSOU E O QUE É MABOQUE QUE EU NÃO CONHECIA ANTES, E AGORA JA CONHECO MEDIANTE VOCE.DEUS TE PROTEJA SEMPRE.

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  20. Dulce,
    Fiquei encantada pela historia que você contou no Mais Você. Aliás estou assistindo agora. Espero encontrar seu livro para conprar e lê-lo. Adoro ler e historias veridicas me encantam. Parabéns!Assim quer tiver lido postarei comentário. Abraço. Jaciara Lins

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  21. Dulce...Acabei de ver a matéria no MAIS VOCÊ. Adorei sua história e queria parabeniza-la pela sua força e vontade de retomar sua vida com esperança, felicidade e principalmente tendo a coragem de enfrentar e resgatar seu passado. Te achei linda por dentro e por fora e exemplo para muitas pessoas que desistem da felicidade as vezes por motivos infinitamente menores que o seu. Queria dizer também que te achei linda por dentro e por fora.

    Beijo no seu coração.



    Grande abraço e um beijo no seu coração.

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  22. Graça Albergaria26 de maio de 2010 05:19

    Dulce:
    Acabo de vê-la no programa de Ana Maria Braga. Embora você tenha vivenciado, como tantos outros angolanos, momentos dolorosos quando mocinha, passa a imagem de uma pessoa muito doce, mas também firme e vitoriosa.
    Certamente será muito interessante a história que você conta em "Sabor de Maboque" (vou logo adquirir o livro!).
    Felicidades!
    Graça Albergaria

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  23. Dulce, eu já havia visto o seu livro em outro programa , mas gostei muito de vê-la no "Mais Você" pq gosto de ler um livro conhecendo um pouco do autor(a), vc passa uma imagem de uma pessoa tão doce, parabéns , me emocionei mto com as coisas que vc viveu e contou. Felicidades!!!! ceiça amorim , Maio de 2010.

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  24. a biblia nos dizer que devemos condfessar as nossas dores, é unico caminho para cura as dores causadas na nossa alma, so assim que teremos paz no nosso coraçao.

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  25. Dulce.
    Fiquei encantada, emocionada, com sua historia,nao tenho habito de assisit o programa da Ana Maria, mas hoje por acaso a tv estava ligada e eu ainda estava em casa, foi uma feliz coicidencia, voce está de Parabens, moro numa pequena cidade do interior de SC nao sei se vou encontrar o seu livro aqui.Mas vou comprar de um ou de outro jeito.
    Um grande Abraço
    Leocadia Auffinger

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  26. adorei suA ENTREVISTA na Ana Maria Braga. Com certeza quero lero seu livro.

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  27. Sou de Conceição da Barra-Es, e vendo a reportagem no Ana maria Braga,me lembrei de uma amiga que tambem veio de angola,mais o menos na mesma época e situação em que vc e sua familia, ela tambem migrou para o Brasil.darei a ela livro de presente. acho que ela vai gostar.

    Alceny

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  28. Dulce.....na primeira oportunidade vou comprar e ler seu livro....Sua entrevista na ana Maria foi emocionante....assim como deve ser sua estória.
    Eunice Kitano

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  29. Maria Joaquina Costa27 de maio de 2010 15:45

    Olá Dulce, moro em Itapetininga sp, eu nasci em Huambo e eu tambem fiquei com o gostinho de maboque na boca tambem tenho saudade do loncha e do azeite de palma. Eu estudei no colegio do Bairro do benfica e no Liceu Nacional General Norton de Matos e voce nasceu em que cidade ?, desejo muito comprar o seu livro abçs

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