SINOPSE

Dois meses depois da revolução portuguesa dos cravos (25 de Abril de 1974) uma jovem nascida e criada no coração de Angola, passa como de costume, suas ultimas férias escolares no verão europeu. Foram três meses de prenúncio, do rebuliço que sua vida seria dali em diante. Com o fim das férias e consequente retorno para a ainda colônia angolana, ela se vê vivendo e temendo por seu grande e primeiro amor, pelos seus amigos, pela sua confortável situação sócio econômica, no epicentro do rodamoinho da guerra civil angolana. É um relato verídico, quase um diário, das perdas, das dores, do medo, da angústia, da luta pela sobrevivência, do desespero e de todas as demais mazelas que as guerras invariavelmente injetam em todos os seus participes, ativos ou passivos. Um ano depois de sua chegada ao Brasil, país para onde fugiu a menos de dois meses do dia da independência de Angola (11 de Novembro de 1975), ninguém mais notava ser ela uma estrangeira. A perda do sotaque juntamente com a hibernação de toda a sua infância e adolescência, foi a maneira pragmática que inconscientemente usou para não ser questionada sobre sua origem e não mexer nas feridas que começavam a cicatrizar. Trinta anos depois o personagem por ela adotado para viver no novo país, que tão carinhosamente a recebeu, dá sinais de esgotamento e como uma árvore sem raízes reclama por elas, para que possa continuar ereta. Essa reivindicação do seu âmago, juntamente com um velho pedido de seu marido e seus filhos para que escrevesse sua experiência de vida, desencadearam um processo de resgate das memórias olfativas, gustativas, sonoras, visuais, emocionas... A erupção desse enorme vulcão, provoca uma profunda catarse e finalmente ela dialoga em paz com o seu pedaço por tantos anos amortecido.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Que correria!


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Não é exclusividade minha, a correria louca em que nos envolvemos nestes primeiros dias de dezembro.
Tá bom eu sei disso, é um turbilhão coletivo!
Todo o mundo tem que, além de trabalhar, comprar o presente do amigo secreto da empresa, o presente do amigo da onça da família, o presente do amigo invisível da turma da academia, os presentes para as crianças da família, as comidas, as bebidas, os agendamentos, as viagens para comemorar com a família que mora em outra cidade, as festas de confraternização, onde presentearemos e seremos presenteados, o menu do dia 24 e 25, a decoração da casa, driblar o transito caótico, tentar não perder a paciencia nas filas para estacionar, para ser atendido, para pagar, para embrulhar os  presentes...espera...o que é mesmo que estamos comemorando?
AAAHHH...é verdade quase me esquecia, o Natal !
Estou com vontade de fazer diferente este ano. Dia 24 e 25 eu festejo, como, bebo, troco presentes, me divirto, entro nessa folia mundana e material, que não posso negar, é boa, de abraçar, beijar, confraternizar e depois, com calma, com mais silencio, outro dia qualquer, sem pressa e muito mais apropriadamente, eu reflito e comemoro o nascimento de Jesus.
Aplaudo quem consegue, mas para mim definitivamente, tudo ao mesmo tempo, não dá e nem combina, não dá liga...e a propósito de correria e comilança, ontem entre outros afazeres profissionais, lembrei-me que tinha que ligar para encomendar um dos pratos do menu natalino, o pernil.
Sem um computador disponível, para consultar o telefone do lugar que me havia sido recomendado, liguei para o serviço de tele informações da cidade.
A atendente, com voz teenager, mas muito gentil e eficiente, prontamente me informou o número do famoso Voga, onde se servem os pasteis mais tradicionais de Campinas, acompanhados de cerveja sempre geladinha e tem fama dos melhores assados.
Eu agradeço, desligo e em seguida faço a ligação, para fazer meu pedido.
Logo após o alô do homem, eu na correria habitual, pergunto rapidamente:
-Por favor, vocês ainda estão aceitando encomendas de pernil assado para o Natal?
A resposta vem pronta e inesperada:
-Só se a senhora quiser, um churrasquinho assado no motor do carro.
Atônica e incrédula, depois de uns poucos segundos, grunho:
-Como assim?
Ao que meu interlocutor calmamente responde:
-Dona, a senhora ligou “pró” Voga autopeças!

Juro que vou mesmo comemorar meu Natal Cristão com mais tranquilidade, não vá eu, no sagrado momento da comunhão, pedir um chope geladinho ao sacerdote.
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9 comentários:

  1. :)))))))))
    que bom humor!
    Ótimo texto.
    Maria Luisa

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  2. Dulce dei boas risadas aqui.
    Desacelera menina.
    Beijinhos

    Lucia

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  3. Mas não vais desistir do pernil no forno!
    Para ser diferente, vamos assar um leitão como se faz na Bairrada.
    Votos de boas festas para todos.
    Beijos e abraços.

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  4. Um chope ao sacerdote… não digo. Mas que de todo esse afã não saia o produto acabado de uma Dulce «avoada»… sei lá… um brinde aos noivos, um parabéns a você… votos de boa viagem ou as melhoras da gripe para alguém que acabou de torcer um tornozelo a cair da escada… um tchin-tchin pela formatura de alguém ou, porque não, parabéns pelo nascimento dos gémeos, são os votos sinceros de alguém cuja imagem de marca é… «por uma questão de rigor» :))

    Como nota final, desejo, genuinamente, que ao trazeres o pernil (salvo seja) para a mesa, o tabuleiro não contenha um jogo de bielas acopladas à respectiva cambota. Bem passadas, está bem de ver…

    :)*

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  5. Ri-me com vontade, Dulce... Mas realmente esta azáfama toda que está ligada à quadra natalícia, cansa de verdade!!

    Um beijo grande, minha amiga, um beijo da nossa terra!!

    Luísa Almeida

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  6. Belo texto...Espectacular....
    Cumprimentos

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  7. Bem... já me ri com gosto!!
    E é claro que neste mês o tempo é sempre curto para tanta solicitação!
    Beijinhos.

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  8. Olá, acabei chegando aqui, e lendo seu texto sobre sua correria, não dá nada Dulce, vai com calma que tudo dará certo no final, e é esta correria é que faz o Natal tão especial, fim de ano tão mágico, aproveite cada momento, depois a demora é de um ano até o próximo Natal, e este momentos é tão especial, o momento do Natal do fim de ano, tantos planos, e que todo este carinho, harmonia e fraternidade continue o ano todo, isso me deixaria tão feliz.
    Adorei seu espaço de alegria contagiante, aqui te sigo, aqui te leio, e sempre votarei!
    Com carinho
    Hana

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  9. Fantástico texto. Adorei!
    Sinceramente? Não consigo te imaginar d e v a g a r i n h o ..... Formiguinha atômica! Mil beijos.

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