SABOR DE MABOQUE - NDAPANDULA MAMA ÁFRICA

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domingo, 12 de setembro de 2010

Um dia eu ia entender !



A PARADINHA (Luis Fernando Verissimo)
De acordo com a física, ele não poderia existir. Quando matéria e antimatéria se chocam, como aconteceu no grande pum que começou tudo, uma teria que aniquilar a outra. Mas isto não aconteceu, para grande perplexidade dos físicos.
A explosão inaugural criou a mesma quantidade de matéria e de antimatéria, mas a matéria prevaleceu, venceu a maioria dos seus embates com a antimatéria e formou o Universo como nós o conhecemos.
Paradoxo: a prova de que a teoria dos físicos sobre a inevitável aniquilação mútua das partículas e das antipartículas estava certa seria a não existência Um dos grandes mistérios do Universo é a sua simples existência.
do Universo, mas sem o Universo como os físicos iriam abrir champanhe e comemorar?
Agora parece que o pessoal descobriu uma explicação para essa assimetria até agora inexplicável, mas sem diminuir o mistério. Se entendi bem — o que eu duvido — no choque entre matéria e antimatéria a matéria leva uma vantagem, que tanto pode ser uma partícula ainda por descobrir para a qual a antimatéria não tem equivalente e que garante a sua sobrevida, quanto um milissegundo de tempo a mais para se estabelecer enquanto a antimatéria desaparece, ou vai formar um antiuniverso paralelo e nunca mais é vista.
Quer dizer, depois do choque há uma paradinha que favorece a matéria. Como se esta tivesse um juiz ao seu lado que lhe permitisse jogar com doze ou não apitasse o fim do jogo antes de ela fazer seu gol da vitória.
Pense nisso: você, sua tia Gigi e as montanhas do Himalaia podem dever sua existência a uma hesitação.
A metáfora do juiz a favor pode sugerir divagações filosóficas e, inevitavelmente, religiosas.
O que ou quem é esse juiz que decide pela existência do universo em vez do nada? Se é para haver uma intervenção divina então este é o momento para ela se manifestar.
Pode-se imaginar Deus coçando a barba diante da escolha: matéria (um universo com todas as suas chateações, a exigir a sua interferência constante) ou a paz do vazio?
E pensando: se eu não queria confusão, por que, para começar, provoquei a grande explosão?
E decidindo: que vença a matéria, e que ela forme mundos, e vamos ver no que vai dar.
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9 comentários:

  1. Dulce
    Eu adoro o Verissimo e amei este texto que ainda não conhecia. Obrigada
    Rosana Lemos
    PS: amei o seu livro. Emprestei-o mas quando voltar para mim vou reler...lindoooo, Parabéns!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. "...pode-se imaginar Deus coçando a barba diante da escolha: matéria (um universo com todas as suas chateações, a exigir a sua interferência constante) ou a paz do vazio..."

    "...que vença a matéria, e que ela forme mundos, e vamos ver no que vai dar..."

    Se dúvidas houvesse na assisada decisão de Deus, este final de crónica do L. F. Veríssimo é bem um exemplo que, estou certo, Deus tomará como um dos mais gratificantes momentos da Sua obra. Porque se a matéria formou mundos e nesses mundos couberam a centelha e o engenho como os provindos da pluma de Veríssimo, tenho a certeza que Ele pensará, entre duas coçadelas de barba, que valeu a pena e que, mais trapalhada menos trapalhada, a vitória da matéria deu certo.

    N.B. E que tal este «deu certo» como exemplo feliz da globalização do português e da tolerância universal? :))

    N.B. outra vez
    Como habitualmente descobri erros no comentário anterior... estes teclados são maus, enganam-se muito :)) Assim sendo, «deletei-o» (!!!) e voltei a inseri-lo devidamente corrigido.
    ***

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  4. Obrigada Rosana, por suas palavras ao Sabor de Maboque e volte sempre!

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  5. Oooolha Espumadamente
    Vou pedir para o Papai Noel te mandar um teclado à prova de erros neste próximo Natal e uns olhos que enxerguem melhor para mim, já que tinho lido e não dei por nada de errado.
    Logo eu que leio tudo com tanta atenção!:)))***

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  6. Por uma questão de rigor... no comentário anterior os parêntesis não estavam fechados, agora fechei. Mais abaixo, onde se lê «tenho a certeza que Ele...» estava escrito «ceteza». De «ceteza» que não reparaste. Da mesma forma que de «ceteza» não reparaste que escreveste, na tua resposta, ...já que «tinho» lido quando, presumo, deverias querer escrever ... já que «tinha» lido... tudo uma questão de rigor, mais ou menos assim como quem parqueia um carro dentro das respectivas linhas :)))))))))
    *

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  7. e até que tá dando bem certinho viu?! Eu tô gostando, só falta mesmo ver as garotas lá de Marte, depois Júpiter, disseram-me que as Venusianas são elegantérrimas...
    ;-)

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  8. Oooolha Espumante,
    faz tempo que procuro um revisor para o meu blog, como não "tinho" encontrado ainda, aceitas o cargo?:)))***

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  9. Oh Flip, só não estás vendo porque não queres?:)))
    Olha direito...presta atenção...isso assim..já viste?:)))
    bj

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